sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Medidas Impopulares?

O aumento da taxa SELIC de onze para 11, 25% anunciado pelo COPOM no dia 29/10 (quarta-feira), demostra o pragmatismo político da presidente Dilma Rousseff. Além de sua necessidade de tentar restaurar a credibilidade da política econômica “no atacado” e de combater uma inflação alta “no varejo”.
Durante a campanha eleitoral houve um esconde-esconde na economia entre os candidatos que foram ao segundo turno: A presidente Dilma evitou anunciar medidas duras. Disse que quem anunciaria seria a oposição caso eleita. O senador Aécio Neves, por sua vez, afastou-se do discurso inicial de “Medidas Impopulares”.
Terminada a eleição, três dias depois de obter o segundo mandato, Dilma adota uma medida impopular: juros mais altos encarecem o crédito e esfriam a economia.


No entanto, é uma medida que o governo julga necessária (dizem seus interlocutores) para enfrentar a alta inflação que nesse momento está acima do teto oficial da meta. Na avaliação do palácio do planalto é melhor adotar, desde já, algumas medidas, afim de tentar diminuir a inflação do ano que vem e de 2016. Não havia a possibilidade de continuar com uma política de tolerância da inflação no topo da meta oficial.
Portanto, o que a presidente está fazendo é dando início a um ajuste econômico que tende a ser gradual. O segundo passo deve ser um conjunto de medidas para endurecer a política fiscal (política de controle das despesas públicas). A meta fiscal deste ano não irá ser cumprida.
Em resumo, essa opção do Banco Central já indica uma mudança da presidente Dilma na economia. Resultado de cobranças internas do PT e do ex-presidente Lula para uma correção de rumos. O partido quase perdeu a eleição devido a erros da sua política econômica no primeiro mandato. A intenção é trazer a inflação para o centro da meta até o final de 2016 ou início de 2017 e garantir um ambiente “calmo” para uma iminente campanha presidencial de Lula para 2018.


É preciso pontuar:


A Presidente passou toda campanha declarando que a inflação estava sobre controle, que os níveis de inflação eram normais. Dilma, enquanto candidata a reeleição, declarou por várias vezes que a ideia de aumentar juros era um pensamento de banqueiro, pois prejudicaria o povo e prejudicaria a economia. Outro argumento é que o nível da inflação no Brasil estava muito bom e sobre controle. Aí vem o Banco Central, três dias depois da reeleição, e sinaliza que a inflação não está sobre controle e que demonstra uma tendência de alta, por isso é preciso aumentar os juros. Ou seja: Tudo o que falavam os críticos da política econômica e que Dilma rebatia dizendo que estavam completamente equivocados.

Então você pode dizer: “Não, isso demostra que o Banco Central é independente”.

Ora, a presidente disse em seus discursos de campanha que o Banco Central não é independente. Principalmente em ataque a candidata Marina Silva dizendo que independência do Banco Central era um absurdo e que o deixaria na mão dos banqueiros. Então vem o BC e contraria tudo o que a reeleita (e seu ministro da fazenda) disse, aumentando a taxa de juros.

Há motivos, sim, para aumentar os juros, pois a inflação está rodando acima da meta. Este é um argumento sustentável do ponto de vista econômico. Mas como fazer isso depois de toda uma campanha dizendo que aumentar juros era uma coisa perversa, que iria aumentar o desemprego, e dizer que a independência do Banco Central era uma balela?

Estaria o governo dando razão ao que os críticos dizem há muito tempo, mesmo depois de rechaçá-las com veemência? Estaria o governo tomando “medidas impopulares” pois agora o convém?
Onde estava essa lucidez (e independência) no período eleitoral?

O que dizem por aí? 
(Para você aprofundar o assunto)


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