O aumento da
taxa SELIC de onze para 11, 25% anunciado pelo COPOM no dia 29/10 (quarta-feira),
demostra o pragmatismo político da presidente Dilma Rousseff. Além de sua
necessidade de tentar restaurar a credibilidade da política econômica “no
atacado” e de combater uma inflação alta “no varejo”.
Durante a
campanha eleitoral houve um esconde-esconde na economia entre os candidatos que foram ao
segundo turno: A presidente Dilma evitou anunciar medidas duras. Disse que quem
anunciaria seria a oposição caso eleita. O senador Aécio Neves, por sua vez,
afastou-se do discurso inicial de “Medidas Impopulares”.
Terminada a
eleição, três dias depois de obter o segundo mandato, Dilma adota uma medida impopular:
juros mais altos encarecem o crédito e esfriam a economia.
No entanto, é
uma medida que o governo julga necessária (dizem seus interlocutores) para
enfrentar a alta inflação que nesse momento está acima do teto oficial da meta.
Na avaliação do palácio do planalto é melhor adotar, desde já, algumas medidas,
afim de tentar diminuir a inflação do ano que vem e de 2016. Não havia a
possibilidade de continuar com uma política de tolerância da inflação no topo
da meta oficial.
Portanto, o que
a presidente está fazendo é dando início a um ajuste econômico que tende a ser gradual.
O segundo passo deve ser um conjunto de medidas para endurecer a política
fiscal (política de controle das despesas públicas). A meta fiscal deste ano não
irá ser cumprida.
Em resumo, essa opção
do Banco Central já indica uma mudança da presidente Dilma na economia.
Resultado de cobranças internas do PT e do ex-presidente Lula para uma correção
de rumos. O partido quase perdeu a eleição devido a erros da sua política econômica
no primeiro mandato. A intenção é trazer a inflação para o centro da meta até o
final de 2016 ou início de 2017 e garantir um ambiente “calmo” para uma
iminente campanha presidencial de Lula para 2018.
É preciso
pontuar:
A Presidente
passou toda campanha declarando que a inflação estava sobre controle, que os
níveis de inflação eram normais. Dilma, enquanto candidata a reeleição, declarou por várias vezes que a ideia de aumentar juros era um pensamento de
banqueiro, pois prejudicaria o povo e prejudicaria a economia. Outro argumento é
que o nível da inflação no Brasil estava muito bom e sobre controle. Aí vem o
Banco Central, três dias depois da reeleição, e sinaliza que a inflação não
está sobre controle e que demonstra uma tendência de alta, por isso é preciso
aumentar os juros. Ou seja: Tudo o que falavam os críticos da política econômica
e que Dilma rebatia dizendo que estavam completamente equivocados.
Então você pode
dizer: “Não, isso demostra que o Banco Central é independente”.
Ora, a
presidente disse em seus discursos de campanha que o Banco Central não é
independente. Principalmente em ataque a candidata Marina Silva dizendo que
independência do Banco Central era um absurdo e que o deixaria na mão dos
banqueiros. Então vem o BC e contraria tudo o que a reeleita (e seu ministro da
fazenda) disse, aumentando a taxa de juros.
Há motivos, sim,
para aumentar os juros, pois a inflação está rodando acima da meta. Este é um
argumento sustentável do ponto de vista econômico. Mas como fazer isso depois
de toda uma campanha dizendo que aumentar juros era uma coisa perversa, que
iria aumentar o desemprego, e dizer que a independência do Banco Central era
uma balela?
Estaria o
governo dando razão ao que os críticos dizem há muito tempo, mesmo depois de rechaçá-las
com veemência? Estaria o governo tomando “medidas impopulares” pois agora o
convém?
Onde estava essa
lucidez (e independência) no período eleitoral?
O que dizem por aí?
(Para você aprofundar o assunto)

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